sábado, 24 de abril de 2010

blog, blog mesmo.

estou muito tranquila, porém impaciente, hoje. observe, tenho uma importante questão:

caio, porque deixou os morangos mofarem?

quinta-feira, 15 de abril de 2010

esses tantos céus assim, uns brancos, outros cinzas, e uns azuis ainda, parecem ilhas.

segunda-feira, 29 de março de 2010

na cozinha

deixe que ecoe ecoe ecoe
mas coe coe coe, menina
pense como é forte e amargo
o gosto do pó

não deixe dar bicho
jogue fora
não deixe mofar, estragar ou parecer ruim

agora seque essas lágrimas
foi só um susto
não é mesmo dor
vai ficar só um pouco vermelhinho

quarta-feira, 17 de março de 2010

Que queres de mim, meu bem? 
Que me recoste aconchegada no teu colo? 
Que consinta, em mim, pulsação e aquieto sem governo?
Que me descanse sincera ao lado teu, suspirando...
Dissimulando um coração inconsútil?

Ah, meu bem!
Queres que eu anseie amanhar as flores que me remete?
Que não me desassossegue com coisa nenhuma?
Que eu seja firme e inabalável em tudo o que digo?

Ora, meu bem...
Já não posso.
Desejava, eu juro, mas já não posso...
Já me dediquei ao faz de conta de tantos jeitos quanto pude
E agora creio que o caminho é só
Ou que o limite tênue, que deveria ter descoberto...
Foi excedido.
E devo adiantar a minha passagem do mesmo modo.
Depressa e antes.

sábado, 6 de março de 2010

baby, bye bye.

estou farta
de ser ponto
estou na ponta
do desencontro
não se espante
se de repente
depois do sim
até o talvez
se for de vez

Maria das Virgens

Sempre esteve perto do chão.
Desde pequena subia em saltos, não se equilibrava e logo caia.
Era muito branca, e pra ser visível lá estava ela, acesa na escuridão.
Com mania de grandeza, deixou o cabelo crescer, crescer, crescer...
Maria das Virgens sabia que não seria tão grande no tamanho como no nome composto.

Berenice

Tinha olhos de lua cheia.
Havia quem os achasse belos.
Havia gente sem opinião.
Ela até gostava deles, porem mais de seus fios ruivos sem voltas.
Já bastavam as voltas que a vida dava...
Por causa de um dente torto,o que Berenice não gostava era de sorrir pra fotos.

Solange

Queria mesmo é ser estrela. tanto que só vive de dedo estendido apontando para o céu.
Desde cedo teve leucemia...
E sob o Sol, sua carequice, sempre brilhou.

Cristina

Cristina era uma vaidade só!
Pintava rosto, pêlo, boca.
Seus cachos eram bem definidos.
Ninguém nunca soube sua idade de pois que passou dos 12.
Cristina, não se viu envelhecer.
Viram quando já estava  de algodão no nariz.
Como se escondia ela atrás de tintas...

Marina

Ninguém sabia o seu rosto.
Só sabiam que ela dançava e que seu vestido antigo, quando os pés estão nas pontas, lambia suavemente o chão.
Em todo fio de seu cabelo havia um semi ou um círculo.
Marina, não conhecia seu rosto.
Viu-se envelhecer sentindo suas mãos.
O mundo de Marina quase não tinha cores, todos os dias.

sábado, 27 de fevereiro de 2010



há, na parede do meu quarto, flores. na parede onde encosto a cama. olho sempre para esta parede(amarela) toda vez que entro no quarto e há algumas horas desenhei flores ali. estão ainda inacabadas, mas surgiram bem no dia que resolvi desenhá-las. foi um impulso forte. comprei hoje giz de cera para colorir.

há atrás da porta do meu quarto um Sol. a partir de então, passarei a dormir dando boa noite para ele. a porta do meu quarto, fica bem em frente a minha a cama, em frente a mim, enquanto é está a forma como durmo. o Sol é amarelo e basta essa cor. há quem diga que eu poderia completar a parede com azul. mas tenho a impressão de que a parede há de completar um dia. dela vai surgir alguma cor de tinta. ela vai quase que desenhar a si própria.

as flores foram bem fluidas, sabe? peguei uma caneta, depois peguei tinta e por fim, fiz as pétalas de lápis. quem sabe por que essa composição? mas me agrada, digo, me agradou. e sei que vai continuar agradando. tê-las ali, quase como um ombro onde me recosto. macio e de cores( logo mais), ah, como será bom...

o Sol me deu um tanto mais de trabalho, para acertar o 1/4 de círculo, para por seus raios tipo Pollock. sacudia o pincel com fúria. subi no banco para tentar facilitar. repassei a tinta amarela. pintei também o chão, um pouco além da porta e a mim mesma.depois do Sol pintei toda minha mão e carimbei num lugar que tenho sempre perto de mim. 

tanto as flores quanto o Sol fazem parte do meu quarto. 
quero O Sol e as flores fazendo parte do meu quarto.
gosto das flores e do Sol iluminando o meu quarto.


talvez o processo não queira dizer muito.
e sim o que há de se concretizar no abstrato.
afinal, Sol, pode querer dizer pássaro.






_Ilustração: Vânia Medeiros ( licencinha, Rai ) 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

dois caminhos.

Agora eu queria sentir tristeza. Queria sentir o aconchego quente das lágrimas cadentes no meu rosto. Queria não achar graça e viver a vida aceitando as mudanças.
Não aceitar a natureza das coisas: o vento, o tempo, o mar...

Queria me por sem tantas certezas de que a paz chega já ( já chegou) e vai ficar e vai ficar...
Queria daquelas turbulências infelizes de dar gosto. Queria desgosto e me perguntar: por que? Porque a vida é assim?
Não queria essa conformidade eterna e breve. isso de não questionar de onde vem: pra onde vai é inevitável.

Queria agora aquele velho apreço pela emoção infundada, ainda que caquetica.

Não queria a paz... Não. Não quero a paz!
Não-movimento, inércia. Entardecer ventando mas que não parece.

É assim: quando há alegria... porque essa alegria no meu coração? Quando há tristeza..." deixe em paz meu coração, que ele é um pote até aqui de mágoa...". E agora, e então eu querendo, ansiando pela última gota d'água. Eu pedindo por favor, por favor, POR FAVOR, um tanto assim de lágrima,pois não suporto essa constância, ainda que a saiba efêmera, pequena, adjetivação das coisas...


:.
nti uirá


Agora eu não sinto tristeza. Não sinto o aconchego quente das lágrimas cadentes no meu rosto. Estou vivendo em estado de graça e vivendo a vida aceitando as suas mudanças.
Aceitando a natureza das coisas: o vento, o tempo, o mar...

Estou em plena certezas de que a paz  já chegou (em paz estou) e fico e fico...
Dispenso aquelas turbulências infelizes que nunca me dão gosto. Livre do desgosto não me pergunto: por que? Porque a vida é assim?Agradeço esta convicção diária e constante.  Nem questiono de onde vem: até porque, pra onde vai é inevitável.

Isento-me daquele velho apreço (que nunca tive) pela emoção infundada, e sinto-me nada caquetica.
Só quero a paz... Paz. Apenas a paz!
Muito movimento, abaixo a inércia. Entardecer sempre ventando.

É assim: quando há alegria... Ah essa alegria no meu coração! Quando há tristeza..." deixo em paz meu coração, porque ele não é um pote até aqui de mágoa...". E agora, e então não deixo nem a primeira gota d'água. Eu pedindo por favor, por favor, POR FAVOR, mais um tanto assim disso que sinto, pois  suporto e muito essa constante alegria, sendo eterna, grande... e que assim qualifique todas as coisas...


:.
luana rodrigues

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

...

quando eu notei
já fazia canto com canto
vôo com vôo
e nenhum pranto
só alegria.

era cada um numa nuvem
a paixão
eu
e ele
 de repente,
nem vi esse encontro,
e já chovia.


me debruço sob seus cabelos
e ele
prontamente
abre os poros
e se arrepia

me cobre que nem lençol
e eu
prontamente
ponho aquele sorriso
 de luz do dia

quando eu percebi
um cheiro de caso desabrochando
uma garoa
um encanto
um passarinho
me envolvia

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

de minha carência absurda partiu...
um aconchego nos braços do ônibus apertado
um banho de chuva
autocafuné
rolei sobre tantas almofadas espalhadas pelo chão
me pus a andar tão próximo de tudo
e de tão próximo tanto me machuquei...
e de tão próximo engoli quase um litro de conhaque
e fumei tantos cigarros quanto pude comprar
e ouvi chico até sangrar
e deixei que lágrimas seguissem seu caminho me suavizando
passei toda uma tarde trocando carícias com músicas
deixei que tapas me atingissem
quase qualquer um contato eu quis
e não me passava a carência
mais e mais eu precisava
então
da minha carência absurda partiu
uns goles a mais de cerveja
um banho de mar
um pequeno arranhão
as mesmas e outras feridas abertas
lembro que fiz uma grande quantidade de espuma
e espalhei devagarzinho pelo meu corpo
aí talvez, quem sabe
quis eu me limpar de carência
mas a minha carência absurda era tão limpa
tanto, que não tinha nada.
vejo o movimento dos amantes
que se plantam num lugar
sob o vento
e ventam...

sinto o movimento dos amantes
que se mergulham, se acalentam
que se põe ondulantes
e navegam...

que se regam...

domingo, 29 de novembro de 2009

eu não gosto de ter que ir 
nem que as pessoas tenham que ir
 talvez seja esse tempo preso numa bola
 igual a gente acha que é preso numa quase 
eu é que nem quero pensar assim
 não quero o que eu não gosto, ora
 assim tá bom é demais 
assim e pronto
 forte e ponto e mais seguro. 

quarta-feira, 25 de novembro de 2009


ignorei tanto a saudade, pus ela pra dormir tão profundamente, que quando ela despertou, mal soube.
já tive isso antes, pensei.
 estava inquieta, um tanto sensível.
me senti estranha.
não parava num canto e ficava.
 como eu disse, inquieta.
nessa constante ausência de algo na qual me encontrei, fumei um cigarro, depois de alguns dias.
era ansiedade também, mas não por ele.
 prossegui assim.
 resolvi parar pra pensar.
 não conseguia bem fazer isso com aquela coisa que me envolvia.
 bebi água e nada daquilo, nem de mim, se aquietar.
senti que meu coração se amiudava de vez em quando.
de repente, um estalo e eu redescobri a saudade.
mas não é de qualquer saudade que falo.
é dessa... aquela.
sabia que já havia tido antes.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

suma amanhã.


ei, só faltam 8 minutos e já é quase hora de você ir.
suma de jeito que se pense que nunca tenha estado aqui.
vá, vá mesmo.
aproveite que por enquanto não me importo.
vá enquanto ainda não tenho saudade.
vá enquanto ainda não parece tarde.
vá enquanto sei que não tem mar, nem cachoeira.
suma, menino.
aproveita que não estou olhando agora.
se esconde e não aparece mais mesmo que eu conte até o infinito.
até que tudo pareça mais bonito.
e tudo ache que você ainda vai chegar...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

.

sem precipícios ou precipitações.