quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

de minha carência absurda partiu...
um aconchego nos braços do ônibus apertado
um banho de chuva
autocafuné
rolei sobre tantas almofadas espalhadas pelo chão
me pus a andar tão próximo de tudo
e de tão próximo tanto me machuquei...
e de tão próximo engoli quase um litro de conhaque
e fumei tantos cigarros quanto pude comprar
e ouvi chico até sangrar
e deixei que lágrimas seguissem seu caminho me suavizando
passei toda uma tarde trocando carícias com músicas
deixei que tapas me atingissem
quase qualquer um contato eu quis
e não me passava a carência
mais e mais eu precisava
então
da minha carência absurda partiu
uns goles a mais de cerveja
um banho de mar
um pequeno arranhão
as mesmas e outras feridas abertas
lembro que fiz uma grande quantidade de espuma
e espalhei devagarzinho pelo meu corpo
aí talvez, quem sabe
quis eu me limpar de carência
mas a minha carência absurda era tão limpa
tanto, que não tinha nada.
vejo o movimento dos amantes
que se plantam num lugar
sob o vento
e ventam...

sinto o movimento dos amantes
que se mergulham, se acalentam
que se põe ondulantes
e navegam...

que se regam...

domingo, 29 de novembro de 2009

eu não gosto de ter que ir 
nem que as pessoas tenham que ir
 talvez seja esse tempo preso numa bola
 igual a gente acha que é preso numa quase 
eu é que nem quero pensar assim
 não quero o que eu não gosto, ora
 assim tá bom é demais 
assim e pronto
 forte e ponto e mais seguro. 

quarta-feira, 25 de novembro de 2009


ignorei tanto a saudade, pus ela pra dormir tão profundamente, que quando ela despertou, mal soube.
já tive isso antes, pensei.
 estava inquieta, um tanto sensível.
me senti estranha.
não parava num canto e ficava.
 como eu disse, inquieta.
nessa constante ausência de algo na qual me encontrei, fumei um cigarro, depois de alguns dias.
era ansiedade também, mas não por ele.
 prossegui assim.
 resolvi parar pra pensar.
 não conseguia bem fazer isso com aquela coisa que me envolvia.
 bebi água e nada daquilo, nem de mim, se aquietar.
senti que meu coração se amiudava de vez em quando.
de repente, um estalo e eu redescobri a saudade.
mas não é de qualquer saudade que falo.
é dessa... aquela.
sabia que já havia tido antes.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

suma amanhã.


ei, só faltam 8 minutos e já é quase hora de você ir.
suma de jeito que se pense que nunca tenha estado aqui.
vá, vá mesmo.
aproveite que por enquanto não me importo.
vá enquanto ainda não tenho saudade.
vá enquanto ainda não parece tarde.
vá enquanto sei que não tem mar, nem cachoeira.
suma, menino.
aproveita que não estou olhando agora.
se esconde e não aparece mais mesmo que eu conte até o infinito.
até que tudo pareça mais bonito.
e tudo ache que você ainda vai chegar...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

.

sem precipícios ou precipitações.

29/09/2009

Eu queria é sair andando e me encontrar assim tão de repente, como se eu já não esperasse há muito tempo, alguém que me desse uma solução.
Dissesse pois, junta um pouco do pó da calda da estrela cadente, e terás seu coração.
Eu conseguiria.
Ou uma simples ventania, que fizesse o percurso de você até mim, em menos de um dia.
Ou quem sabe um passarinho, com o vôo da eternidade, pra construir nosso ninho.
Mas não acho, não acho!
E o pior, é que as esperanças não me escapam.
Cada dia vivo mais.
Dias sou Sol, brilho, sou pura luz branca.
Dias sou chuva a noite, me resvalo pela escuridão.
Mas todos , todos os dias, espero que chegues e me diga que só o que importa é o amor.
E que você o tem em quantidade suficiente para mais que nós dois, assim como eu , em si.
E que o nosso tempo, não é desse que mede tudo, é o tempo das coisas que não têm fim...
E neste devaneio eterno.
Não peço a deuses que levem nada de mim.
Mas que essa chuva que as vezes sou, seja de regar pra crescer.
Que seja sempre mais e mais fortinho esse amor.
Pra ter a força que eu acredito mesmo que ele tenha pra tudo.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O vôo do pássaro miúdo.

Pousa em fio, em telha, na árvore, em muros e até na cozinha lá de casa.
Voa alto, como eu não alcanço com as mãos.
Voa baixo, raso, fundo.
Pisa os pés no chão e a cabeça em oooutro mundo!
Vai voando, bate rápido, bem rapidinho as suas pequenas asas, pára e logo volta a batê-las novamente em seu oscilante vôo.
Bem como uma onda, já reparou?
Sentei-me um dia desses num banco, tendo muito o que fazer e pus-me a olhar o céu, a tardinha.
Vi um, dois, três! E o canto de vários...
Eram todos pequeninos e planavam bem pouquinho.
De tanta atenção que prestei no seu voinho, pude saber do barulho de suas asas.
Fazia um vento frio e o Sol já se deitava avermelhando as construções.
Constatei que a Terra roda com o movimento das nuvens.
E que tudo tem um tempo certo de ser, como as muitas e poucas ondas, assim como o vôo do pássaro miúdo.

Graciara de Azul

Parece que sabe ser rainha e doce.
Ser fluidez de água pura.
Seus longos cachos são como ondas que deslizam pelo seu ombro de pele macia, porém hoje pelo azul do vestido, da sua cor, cor de mar de céu sem nuvens.
Toda a graça e delicadeza de ondas frenéticas refletem bem azul quando Graci sorri.
Toda a manha do ir e vir das águas.
Graci-Iara, resolveu ser como é.
Pôs também a luz do Sol e da lua que cintilam sobre o mar: os pés de prata.
Faz tempo que eu sei dela e que deve ser de Oxum.
Onda e água.
Luz e água.
Graciara de azul.

domingo, 6 de setembro de 2009

 Pra se abrir, flor.
Há de se esticar
Há de permanecer num desatino
Até que se complete o desabroche
Há de mudar o como de sentir as gotas da chuva
De conversar com os insetos
Há de não ter medo do destino
Não há como, com a cor viva que tens
 De não sentir uma falta
Não há como, com a vida que passa
De não se despetalar
Mas há de mudar o jeito de sentir o Sol
Te aquecendo, então, por dentro
Secando as feridas do seu rebento
Aliviando o úmido resquício do orvalho,
Que sobrou da sua última partida alaranjada
Flor, é mesmo assim  
Vai entender
O Sol vai e volta
Assim como a chuva
Mas não há o que temer
Pois o aquieto sempre se acalma
Passem horas
Sons
Ventania é mar
Onda de avião
Sentimento é par
Pura sensação
Agonia vã
Tudo é posição
E verdade
É pé
Nasce encantação
Se me disseres
Seja o que quiseres
Seguirei a voar
Uirá
Pássaro sob o Sol
Asso sob o fogo
Queimo sobre o nós
Vermelho
Espelho em que me vejo
Mas não vejo o que queria
Enfim
Seu olhar não é só meu
E a paz?
Assaz, assaz, a sós
Paz? Fogo? Paz!
Venha me dizer que não
Que sim...
É bebedeira
Poeira
Visão
Sã?
Translúcida
“Melúcida”
Sabes da melodia
O dia é dia
Bem depois de chover

domingo, 30 de agosto de 2009

quero todos os lápis(es):
inclusive os com cores,
inclusive os de luz,
os de mão,
de voz,
de muitas coisas de diferentes formatos,
de caras e bocas, 
de corpo,
todos,
todinhos!

sábado, 29 de agosto de 2009

...

amo tanto e
não sei como cabe
não sei nem se cabe
de tanto que é
de tanto e me faz
de tanto e se entorna
sei que não tem forma
se for é assim
igualzinho a mim,
mas não sei se cabe
meu deus, como cabe?!
te alcança, enfim?
me diga meu bem
se o amor em mim cabe
ou se vai bem além?!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Só de alguém...

Ele tem uma voz inconfudível e o tom de interrogação ao atender o telefone é só pra fazer uma surpresa para si mesma e aumentar a alegria tão logo é satisfeita a sua expectativa - impossível de ser frustrada.
Um jeito peculiar de se locomover parecido com o pai e de sorrir, parecido com mãe.
Um samba de pernas e cabeça.
Tua mão tem o toque mais póprio de toda a força e delicadeza. Todo o amor.
Qualquer beijo que se demore, é o corpo todo que sente. E sente é coisa demais. De encantamento de fadas a coisas não reveláveis ao público, só ao ouvido depois de beijar mais uma vez.
Beijo pequenininho dá vontade de se demorar, mas tem o seu lugar. Da vontade de ser mais. Do acúmulo do desejo.
Uma abraço é casinha que pode passar todo o vento, chuver toda a tempestade, ter enchente e tornado. Não cessa. É segura que só. E cura qualquer sentimento, dá calma ao desespero assim como amorna coração.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Será que eu vou resistir a essa mudança tão grande?

Vai seguir a pista , menina...e é possível, oxente?

A essência perder-se assim, calar-se assim, mover-se assim? Para onde?

Quando eu não penso como sou eu sou e continuo assim... Mas sem dizer eu já acho que talvez até possa ser... mas... continua é?

É fixa ? Ou fase?

Menino!

Que coisa essa vontade de silenciar a voz, silenciar o riso!

Que coisa essa angústia sem ponto de partida.

Que coisa?

Como o céu que se fecha e faz tudo cair ou como a luz que cega o tato, cala os ouvidos, tapa a boca, adormece a visão...

Meninice essa de ser desse jeito tão impreciso, indeciso, inseguro, desse jeito sem forma, inconstante e distante.

Deve ser mesmo um sono...

sábado, 13 de junho de 2009

De antes e agora,depois...

Lembra que o banco ficava no teu quarto e que sobre ele quase me debruçava pra te ouvir tocar?
Lembra que foi nun canto de amor que se regou flor-lágrima em olho-terra meu?
Porque nunca mais cantou esta música?
Porque meia-lua, inteira, usa para encantar a todos agora?
Eu digo me petence, me pertence,
me pertencem...
Tuas saídas noturnas, teus cílios postiços, teu passado, teu futuro,
carinhos,
massagens no pé,
mãos nos cabelos, elogios,
teus sorrisos, todo o tempo que tens.
Isso é um problema. Você diz.
Qualquer pode ser o passarinho a pousar em minha janela e me convidar a voar com ele.
Se eu quiser,
eu vou.
Se tu quiseres, viaje.
Não viaje. Viaje.
Eu quero ir. Eu também.
Ano que vem já estou lá.
Vê como a gente se diverte.
Não tem como não ser pra sempre...

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009


Eu?

Eu estava olhando a pipa e não olhei o mar.

Quer dizer...
Quando eu vi, o Sol já levava as moedas de prata – feitas de seus raios de ouro transvestidos de tons de cinza ou preto e branco.
Eu estava olhando, vigilante ou quase, a pipa e seus movimentos muitos, no céu das nuvens, do dia preto e branco ou em tons de cinza...
Deixei as moedas escorregarem para o outro rumo junto com o Sol na redonda, ou quase redonda Terra, em tons.

É...

Não apanhei as moedinhas de prata – ou seria ouro branco?! – pois estava olhando a pipa.

Imagino que todos estavam de olho na pipa...
Porque mesmo os mais próximos só pararam para olhar as moedinhas enriquecedoras sobre o mar quando o Sol já as levava...

Até mesmo os da barca não partiram em busca das moedas.

Nem se debruçaram sobre a madeira envelhecida, tons de cinza ou mais preto que branco, para sequer tocá-las...

[E eu tenho certeza que aquelas moedas tinham valor.]

Será que acharam que elas nunca iriam escorregar?
O que eu sei, é que eu não fui catar moedas porque meus olhos catavam a pipa.

Mas porque a pipa?


Sei lá...
Mas foi a pipa.


E mesmo sem as moedas... Eu fiquei rico.

?

Os pés no chão
As mãos nos bolsos
O céu observa
Olhos alheios filmam
A mente cresce
Entristece
Talvez se perca
Na consciência do mundo
E porventura caia em sono profundo.

O racional segura na mão
Transforma o doce da vida “em vão”
E tudo o que é pequeno fica só
Na caixinha com objetos e poeira acumulada
Pelo subúrbio dos sonhos antigos
Mistérios, amores e perigos
Valiosos e escondidos
Porque não só de pão vive o homem
Não só de ouro
Não só de pele
Mas do tesouro
Do tesouro
Que talvez um dia
Num passo ou n’outro
Se revele.

três marias 19/03/2008

sonhadora flor-mulher
firme mulher-flor
sabe como ir
e sabe se abrir
talvez florescer seja natural

e quer escapar desse mundo cinzento
não ser como parece, só fragilidade
romper com a tristeza, romper o cimento
juntar suas cores e ser majestade
pode ser bem mais
que o cinza da tarde.

e quer escapar da loucura alheia
não ser uma escolha, ser só o talvez
quer ser mas que o sangue que corre na veia
pois ter esse traço de insensatez
pode ser bem mais
que a certeza que tens